A Bola que Queria Sorrisos
Uma história criada por uma família na Hora da Caminha, partilhada em versão anonimizada.

No bairro do Gaspar, havia um campo de terra batida onde todos os sábados se jogava à bola. E naquele sábado era especial: era o dia da final! Gaspar vestiu a camisola vermelha e branca, calçou as botas cor de laranja e pegou na sua bola preferida, aquela bola velhinha e redonda que dormia sempre debaixo da cama dele. — Hoje vamos ganhar, bola! — disse Gaspar, a sorrir. A bola não respondeu. Mas parecia, só parecia, que tinha uns olhinhos muito atentos.
No campo, a final começou com muita animação. Os amigos do bairro gritavam, os pais aplaudiam, e Gaspar corria como um coelhinho atrás da bola. Chegou perto da baliza e chutou com toda a força. Mas a bola... parou no ar. Bem devagarinho, rolou para o lado e não entrou. — O que se passa? — perguntou Gaspar, espantado. A bola tinha uma coisa estranha: um sorriso desenhado que, de repente, ficou uma linha triste.
Gaspar olhou para a baliza. Lá estava o guarda-redes da equipa adversária, o Tomás, de ombros caídos e olhos tristes, a olhar para os pés. A bola rolou até junto de Gaspar e sussurrou, muito baixinho, como só as bolas mágicas sabem fazer: — Não entro em balizas tristes. Só entro onde há sorrisos. Gaspar coçou a cabeça. Como é que se ganha um jogo, se a bola tem tanto coração?
No intervalo, Gaspar foi ter com o Tomás. Sentou-se ao lado dele na relva. — Estás triste? — perguntou Gaspar. — Tenho medo de falhar — disse Tomás, baixinho. — Toda a gente vai rir de mim. Gaspar pensou um bocadinho e depois sorriu: — Sabes que mais? Mesmo quando falhamos, o jogo continua a ser giro. Eu também já falhei muitas vezes! Tomás olhou para ele, e um pequeno sorriso começou a nascer, devagarinho, como o sol a espreitar pelas nuvens.
O jogo recomeçou. Gaspar correu com a bola, driblou, riu-se, e quando chegou perto da baliza, olhou para o Tomás. O Tomás já não tinha os ombros caídos. Tinha um sorriso pequenino, mas verdadeiro. Gaspar chutou, devagarinho... e a bola, feliz, rolou suavemente para dentro da baliza. Não houve gritos de vitória. Houve só aplausos calmos, e os dois meninos a rirem-se um para o outro. A noite começava a cair sobre o bairro, macia como um cobertor.
Gaspar voltou para casa, com a bola debaixo do braço, cansado e feliz. Deitou-se na cama, devagarinho. A bola, ao lado da almofada, tinha um sorriso pequenino e sonolento. Inspira... expira... Gaspar pensou no Tomás, no jogo, nos sorrisos. Inspira... expira... Os olhos foram fechando, devagarinho, devagarinho... E o bairro inteiro dormiu, sonhando com bolas que só querem ver sorrisos.
O resto desta história continua…
Mas a melhor não é esta — é a que tem o nome do teu filho. Cria-a em menos de dois minutos, com ilustrações e narração em português de Portugal.
Criar a história do meu filho