A Varinha da Verdade
Uma história criada por uma família na Hora da Caminha, partilhada em versão anonimizada.

Naquela noite, a Avó Fátima trouxe uma caixinha de veludo azul. Lá dentro, dormia uma varinha pequenina, de madeira clara, com uma pontinha de vidro no topo. — Esta varinha é especial — disse a avó, com um sorriso manso. — Só brilha quando dizemos a verdade, Alice. Alice pegou nela com cuidado. A varinha estava fria e leve, como uma pena de pardal. Lá fora, as estrelas espreitavam pela janela, curiosas para ver o que aconteceria a seguir.
No dia seguinte, no recreio, Alice encontrou a Inês sentada sozinha, de braços cruzados. — Já não queres ser minha amiga? — perguntou Alice, com a voz pequenina. — Disseste que não gostavas do meu desenho! — respondeu Inês, sem olhar para ela. Alice sentiu um nó na garganta. Não se lembrava de ter dito isso. Apertou a varinha no bolso, e esta ficou morna, como se estivesse a acordar.
Naquela tarde, em casa, Alice apontou a varinha para o teto e experimentou: — Eu acho que a Inês desenha muito bem. A ponta de vidro brilhou, suave como uma pirilampo. Era verdade, e a varinha sabia. Depois experimentou outra frase, uma que não queria admitir: — Eu fiquei com ciúmes porque ela desenhou com a Matilde e não comigo. A varinha brilhou ainda mais forte. Aquilo doía um bocadinho dizer, mas era a verdade toda.
No dia seguinte, Alice procurou a Inês antes das aulas começarem. — Eu não disse bem aquilo que pensavas — começou, devagarinho. — Fiquei triste porque brincaste com a Matilde e não comigo. Foi ciúme, não foi maldade. A varinha, no bolso do casaco, brilhou tanto que Alice sentiu um calorzinho no peito. Inês olhou para ela, surpreendida, e depois sorriu, um sorriso pequeno mas verdadeiro. — Também sinto saudades de brincar contigo — disse Inês baixinho.
Voltaram a ser amigas, de mãos dadas, a caminho da sala de aula. À noite, Alice contou tudo à avó, enrolada no cobertor macio. — A verdade às vezes custa um bocadinho a dizer — murmurou Alice, já com os olhos pesados. — Mas depois de dita, o coração fica mais leve — respondeu a avó, afagando-lhe o cabelo devagar. A varinha, na mesinha de cabeceira, brilhava agora muito baixinho, como uma vela quase a apagar-se.
Inspira… expira… Os olhos de Alice fecham-se devagarinho. A varinha descansa, quietinha, na mesinha. Lá fora, as estrelas piscam, uma a uma, mais devagar. Inspira… expira… Alice adormece, com um sorriso pequeno e a amizade da Inês guardada no coração. Boa noite, Alice. Boa noite, verdade pequenina.
O resto desta história continua…
Mas a melhor não é esta — é a que tem o nome do teu filho. Cria-a em menos de dois minutos, com ilustrações e narração em português de Portugal.
Criar a história do meu filho