Aurora e o Castelo Sonolento
Uma história criada por uma família na Hora da Caminha, partilhada em versão anonimizada.

No Reino de Anadia, o Castelo Cor-de-Mel brilhava à luz de mil velas. Era noite de festa: tartes de morango, valsas a rodopiar, risos que subiam até às torres. Mas de repente, a meio de uma dança, todos pararam. O Rei Nuno adormeceu com a colher na mão. Os músicos adormeceram com os violinos ainda a soar. Até os cães do castelo se enrolaram a dormir debaixo das mesas. Foi então que bateram à porta de Aurora, a mais pequena cavaleira do reino, com uma missão importante: ir acordar o castelo inteiro.
Aurora entrou devagarinho, na ponta dos pés, para não fazer barulho de mais. O chão brilhava com migalhas de tarte e fitas caídas dos vestidos. — Acordem, gente do castelo! — chamou ela, baixinho. Ninguém se mexeu. O Rei Nuno resmungou qualquer coisa sobre morangos e voltou a ressonar. Aurora tentou de novo, um bocadinho mais alto. Nada. Nem um espirro, nem um pestanejar. Talvez precisasse de ajuda de alguém que percebesse destas coisas mágicas de sono.
Foi então que apareceu, a flutuar devagar entre as cortinas, a Fada Lentilha — a fada madrinha mais soneca de todo o reino. — Ah, querida — bocejou ela. — Não adianta gritar. Eles não querem acordar. — Não querem? — estranhou Aurora. — Dançaram tanto, riram tanto, comeram tantas tartes... Ficaram tão cansados e tão felizes, que os seus corações pediram só uma coisinha: descansar um pouquinho mais. Aurora olhou para o Rei Nuno, todo enroscado como um gatinho satisfeito, e pensou que talvez a fada tivesse razão.
— Então o que faço? — perguntou Aurora, sentando-se ao lado do trono. — Vim para acordar o castelo... A Fada Lentilha sorriu e sentou-se também, com um bocejo comprido. — Às vezes, a missão mais gentil não é acordar quem dorme... é ajudá-lo a dormir ainda melhor. Aurora pensou nisso. Lembrou-se de como a mãe lhe cantava baixinho antes de dormir, e como isso a fazia sentir-se leve como uma pena. Talvez pudesse fazer o mesmo pelo castelo inteiro.
Aurora respirou fundo. Inspira... expira... E começou a cantar, tão baixinho como o vento nas cortinas: "Dorme, castelo, dorme mais um bocadinho, o sono é doce como mel no caminho..." O Rei Nuno sorriu a dormir. Os músicos suspiraram, aconchegados. Até as velas pareceram tremeluzir mais devagar, como se também quisessem adormecer. A Fada Lentilha fechou os olhos, satisfeita, e murmurou: — Isso, pequena cavaleira... embala-os com o coração.
Inspira... expira... Aurora sentiu os olhos pesados, pesados como as pálpebras de um gatinho satisfeito. Encostou-se ao trono macio, ao lado da Fada Lentilha, e o castelo inteiro respirava devagarinho, como um coração grande e quente. Inspira... expira... E ali, entre velas a apagar-se de mansinho e o eco suave da sua própria canção, a pequena cavaleira Aurora adormeceu também, sabendo que tinha cumprido a missão mais doce de todas.
O resto desta história continua…
Mas a melhor não é esta — é a que tem o nome do teu filho. Cria-a em menos de dois minutos, com ilustrações e narração em português de Portugal.
Criar a história do meu filho