Tá nahora da caminha
Fundo do Mar dos Açores🐠 Oceano

O Polvo Bibliotecário dos Açores

Uma história criada por uma família na Hora da Caminha, partilhada em versão anonimizada.

Tomás estava quase a adormecer quando uma bolha pequenina entrou pela janela do quarto. Brilhava como uma pérola de luar. Tocou-lhe o nariz, e — fu! — Tomás encolheu-se todo, ficou leve como uma pena, e a bolha envolveu-o num abraço redondo. Desceu, desceu, através da noite, direita ao mar escuro dos Açores, até que tudo à sua volta se tornou azul e brilhante.

Lá no fundo, entre corais que brilhavam como candeeiros cor-de-rosa, Tomás viu uma biblioteca redonda feita de conchas gigantes. E, a nadar à sua volta em roda-viva, um polvo de óculos torcia os oito braços, tentando apanhar livros que fugiam, a nadar como peixinhos levados pela corrente. — Ajuda-me, por favor! — pediu o polvo. — Sou o Professor Tinta, guardião destas histórias, e esta noite elas resolveram fugir todas ao mesmo tempo! Tomás riu-se e estendeu as mãos. Um livro azul, com asas de página, veio direitinho pousar nelas.

Juntos, nadaram atrás de um livro verde que fazia cambalhotas entre os corais, e de outro dourado que se escondia atrás de uma anémona a rir baixinho. Golfinhos brincalhões apareceram a ajudar, empurrando os livros com o nariz, devolvendo-os às prateleiras de coral com estalinhos de alegria. — Falta só um — disse o Professor Tinta, contando os braços. — O livro mais antigo de todos. Foi na direção das baleias. Tomás sentiu o coração aos saltinhos de curiosidade e seguiu, dentro da sua bolha, rumo às águas mais profundas.

Ali, imensa e serena, flutuava a Baleia Avó. Cantava devagarinho, e da sua boca saíam bolhas com formas de ondas e de estrelas. Pousado sobre o seu dorso largo, estava o último livro, aberto, a brilhar suavemente. — Sou eu quem guarda as primeiras histórias — cantou a baleia, com uma voz que parecia música de embalar. — O mar ouve tudo: o vento, as marés, os sonhos de quem dorme perto da praia. Por isso sabe tantos contos, Tomás. E cada noite, sussurra um bocadinho a quem o vem visitar.

O Professor Tinta guardou o livro com muito cuidado, enrolando um braço à sua volta como quem embrulha um presente. As luzes da biblioteca foram baixando, devagar, devagarinho. Os corais apagavam-se um a um, como candeeiros de noite a serem desligados com carinho. — Obrigado, Tomás — murmurou o polvo, com os olhos já pesados de sono. — Agora todas as histórias vão descansar. E tu também devias. A bolha começou a subir, muito devagar, embalada pelas ondas quentes.

Inspira… o mar sussurra baixinho. Expira… as ondas embalam devagar. A bolha subia, subia, tão de mansinho que Tomás já mal sentia o movimento. Lá longe, a Baleia Avó ainda cantava, uma canção redonda e macia como uma manta. Inspira… expira… Tomás fechou os olhos dentro da bolha de luz, sentindo o cheiro a maresia e sono. E quando a bolha pousou, devagarinho, na sua cama, ele já dormia — a sonhar com polvos, baleias e histórias que o mar continuava a contar, só para ele.

O resto desta história continua…

Mas a melhor não é esta — é a que tem o nome do teu filho. Cria-a em menos de dois minutos, com ilustrações e narração em português de Portugal.

Criar a história do meu filho