Quem Canta Antes do Galo
Uma história criada por uma família na Hora da Caminha, partilhada em versão anonimizada.

Na quinta da avó Emília, o sol ia-se deitando devagarinho atrás dos montes. Cheirava a pão quente e a erva molhada pelo orvalho da tarde. Tomás, de pijama e chinelos, agarrou o seu cobertor amarelo e anunciou: — Avó, esta noite vou descobrir quem canta antes do galo! A avó riu-se, com as mãos brancas de farinha. — Ah, sim? Isso é um mistério antigo, Tomás. Poucos o resolveram. Lá fora, no galinheiro, uma sombra desajeitada tropeçou num balde. Seria já o primeiro sinal?
Tomás foi até ao galinheiro, com os chinelos a fazer chape-chape no chão de terra batida. Lá dentro, uma galinha rodava em círculos, confusa. — Perdi o meu poleiro outra vez — disse ela, piscando um olho torto. — Sou a Rosinha. Nunca sei bem onde é o meu lugar. Tomás sorriu e apontou para um poleiro vazio. — É ali, Rosinha. Ao pé da janela. A galinha instalou-se, agradecida, e sussurrou: — Ficas para me fazeres companhia? A noite aqui tem sons esquisitos...
Sentaram-se os dois num monte de palha macia. Lá fora, o vento brincava com as folhas da couve gigante da horta. — Achas que é o vento que canta antes do galo? — perguntou Tomás. Rosinha abanou a cabeça, séria como só uma galinha despistada sabe ser. — Não, não. Isso é só o vento a resmungar. O verdadeiro cantor... esse é um segredo da quinta. De repente, um som grave e comprido ecoou no pátio. Hii-oo... Hii-oo... Tomás arregalou os olhos. — Será ele?
Era Bartolomeu, o burro, apoiado ao muro do curral, com o seu pequeno chapéu de palha torto. — Não sou eu quem canta — disse ele devagar, como quem já pensou muito na vida. — Eu só suspiro. O canto antes do galo... esse pertence a quem gosta de acordar a noite com carinho. Rex, o cão pastor, aproximou-se em silêncio, sentando-se ao lado de Tomás como um guarda fiel. — É o galo que canta ao sol — disse Rex baixinho. — Mas antes disso, é o silêncio que canta. Ouve com atenção... Tomás fechou os olhos. E, por instantes, ouviu mesmo: grilos, uma coruja distante, o coração da quinta a respirar devagar.
Tomás aninhou-se entre a palha quentinha, com Rosinha encostada ao seu lado e o cobertor amarelo bem apertado. — Afinal... talvez ninguém cante antes do galo — murmurou ele, com voz sonolenta. — Talvez seja só a noite a ficar mais mansa. Rex deitou-se aos pés deles, vigilante e calmo. Bartolomeu bocejou, um bocejo enorme e lento. — Inspira... — sussurrou o burro. — Expira... — respondeu Rosinha, os olhos já a fechar. A quinta inteira parecia respirar devagarinho, como um grande animal a dormir.
Lá fora, as estrelas piscavam devagar, uma a uma se apagando no sono do céu. Tomás já mal conseguia manter os olhos abertos. — Amanhã... pergunto ao galo... — murmurou. Inspira... expira... Rosinha já dormia, com a cabecinha debaixo da asa. Rex vigiava em sonhos tranquilos. Bartolomeu descansava, imóvel como uma sombra suave. E assim, embalado pelo cheiro de pão e erva, Tomás adormeceu profundamente, sem nunca descobrir quem cantava antes do galo — porque essa é uma canção que só se ouve a dormir.
O resto desta história continua…
Mas a melhor não é esta — é a que tem o nome do teu filho. Cria-a em menos de dois minutos, com ilustrações e narração em português de Portugal.
Criar a história do meu filho