O Tomás e o Dragão que Colecionava Abraços
Uma história criada por uma família na Hora da Caminha, partilhada em versão anonimizada.
Toda a gente sabe que os dragões colecionam tesouros: moedas de ouro, coroas brilhantes, pedras preciosas. Mas o dragão que vivia na gruta atrás da casa do Tomás era diferente. O Bartolomeu colecionava… abraços. Tinha um caderninho onde os apontava: «abraço de urso», «abraço apertadinho», «abraço de boa noite».
O problema é que ninguém abraça dragões. «Têm medo das minhas escamas», contou o Bartolomeu ao Tomás, com uma lágrima quente a escorrer pelo focinho. «Dizem que pico como uma castanha.» O Tomás olhou bem para ele. As escamas até pareciam macias, como folhas de outono.
«Eu abraço-te», disse o Tomás. E abraçou. As escamas do Bartolomeu eram mornas como pão acabado de sair do forno. O dragão ficou tão contente que soltou uma fumaça em forma de coração. «Este é o abraço número cem!», festejou. «O mais especial da coleção!»
A partir dessa noite, o Tomás e o Bartolomeu inventaram um abraço novo para cada dia: o abraço-helicóptero, o abraço-almofada, o abraço-de-adormecer. E se uma noite tiveres sorte, talvez sintas um calorzinho de repente sem saber porquê — é o Bartolomeu, a treinar abraços à distância. Boa noite.